PROSA POÉTICA

Prezados amigos, hoje cedo meu espaço para o texto de Mário Luz, intitulado: Para Ouvir Teatro Mágico.

Aproveitem.

Abraço a todos

Ricardo Stumpf

 

                                                                  PARA OUVIR TEATRO MÁGICO

     Ainda ouço agora uma música enquanto você lê. Ana e o mar ela se chama. Conta a história de uma menina, a Ana, que é apaixonada pelos quatro elementos e, por conclusão, gosta de se deitar defronte ao mar, sentir o vento, a areia sob seu corpo e os efeitos do sol também. Ana é assim, senta e sente. Ana só não esperava que fosse acontecer do mar se apaixonar também. E então vem a história do mar. O mar, assim que se descobre de Ana, passa a lhe trazer presentes. Tesouros escondidos em si há tanto tempo que agora ele lhe oferta: as conchas mais belas, por exemplo. E quando Ana se molha nele, de mais amor se enche o mar, mais feliz são as navegações dos barcos, mais altas, as ondas. Mas será que “são apenas histórias que nos contam na cama, antes da gente dormir”? Bem, “são coisas da vida”, continua a música, que assim mistura dois poetas para me por em dúvida sobre a veracidade da história.

     Mas importa a veracidade da história? Ana é linda, infinitamente linda, tanto que dobrou o mar a seus encantos. Provavelmente, mais um pouco nessa orla e um redemoinho de areia se faria rodopiando ao seu redor com a ajuda do vento que lhe bagunçaria os cabelos como um carinho de namorado ou de pai. E o sol, ah o sol lhe aqueceria sempre pequeno, naquele intervalo entre dois calores opostos que dá sono. Seria o sol embalando Ana. E não só Ana recebe, mas acaba acariciando os quatro elementos a que ama.

     “Quem já conseguiu dominar o amor?”. Não há porque se admirar desse tal encantamento, afinal quem já conseguiu dominá-lo? Porque não? Sorrindo eu respondo em frase feita que o coração tem razões que a própria razão desconhece. E o mar por um acaso há de possuir um coração? Não seja soberbo, caro leitor. A natureza pulsa, não só o peito humano.

     Ana, Ana e o mar, Mar e Ana. Não sei se existe uma Ana, se for só na minha cabeça já basta. Sigo a Ana ao ouvir a música. Desligo o computador e, descendo as escadas correndo, vou ao jardim. Abro os braços. Se venta muito ou pouco, se o sol é forte ou não, se a minha conexão com o mar é a mais remota possível, já que eu moro em Brasília, ou se a terra machuca-me os pés por conter pedras, não me importa. Só Ana tem direito ao poético. Porque é ela quem me convence a me distanciar do computador e sentir os carinhos dos elementos ao meu redor. E eu sinto. Não sei se me é recíproca a paixão, mas sinto. Ana não é uma mulher a qual eu deva procurar a partir de agora para me casar. Ana me convenceu já, Ana está em mim, Ana sou eu também. E se eu for bem sucedido, agora é você.

 

 

Mário Luz    

 

 

IMPRESSÕES SOBRE O CHILE VII (FINAL)

UM PAÍS EM MOVIMENTO

 

   Palácio de La Moneda, sede do governo do Chile, em Santiago.

 

Pois é, amigos leitores, sete dias no Chile, reconhecendo coisas antigas, conhecendo novas, me emocionando com reencontros e com referências históricas, reconstruindo uma memória que estava desbotada pelo tempo e agora tenho uma nova visão do Chile.

Os que me acompanharam no blog viram que denominei essa série de artigos, como impressões do Chile, porque em uma semana não se forma uma opinião sobre um país. Pode-se no máximo ter uma impressão sobre as coisas que se vê, enquanto aos poucos vai se formando uma imagem na mente, construída com todas as informações que recebemos dos nossos sentidos e das pessoas com quem convivemos.

Agora, de volta ao Brasil olho para esta experiência e posso dizer que sinto o Chile como um país que está entrando em um momento de transição.

Por um lado, uma classe média ainda comemora o neoliberalismo, como se estivesse no início dos anos 90, quando a abertura de uma loja do Mc Donalds era saudada como uma vitória da democracia, sobre a burocracia socialista.

Se orgulham dos arranha-céus de vidro que tomaram conta de Santiago, dos produtos importados, das excelentes estradas, todas privatizadas, e adoram a Concertación, a aliança de socialistas com democrata-cristãos, que lhes proporcionou tudo isso.

A economia chilena se reestruturou na década de 90 em cima de um acordo de livre comércio com os Estados Unidos consolidando seu papel de exportador de produtos agrícolas, cobre e vinhos, em troca da abertura do seu mercado interno às importações do mundo inteiro, o que naturalmente impede a indústria chilena de se desenvolver.

Acreditaram (e ainda acreditam) na conversa do livre-mercado, coisa que não é praticada por nenhuma nação do mundo, principalmente os Estados Unidos, que subsidiam fortemente sua agricultura.

Essa classe média, que apóia fortemente a Concertación, ainda não percebeu que a crise econômica atual é a falência deste modelo e que não tendo mais o grande mercado americano para absorver suas exportações, nem tendo mercado interno, a ilusão neoliberal acabou.

Enquanto a maioria dos países apostava na integração como forma de criar grandes mercados (como o Mercosul, a União Européia e outros), o Chile acreditava que se entregando aos Estados Unidos entraria no melhor dos mundos. Agora, quem pertence a mercados integrados teve como superar a crise,quem dependia dos americanos, ficou a ver navios.

Muitos no Chile ainda não querem encarar essa verdade, não querendo admitir o grande erro cometido por Ricardo Lagos ao rejeitar a adesão ao Mercosul e fazer o acordo com os americanos. Eles simplesmente preferem fechar os olhos e continuar sonhando, achando que a crise vai passar e logo tudo voltará a ser como antes.

Não percebem que o estouro da bolha especulativa americana foi o fim de uma era.

Assim como o comunismo real era muito diferente da utopia que o movia, o capitalismo real também não sustentou sua utopia de um mundo regulado pelo mercado. O Estado voltou com força e caminhamos para um modelo globalizado de economia mista, que já funcionou muito bem no Brasil e foi copiado de nós pela China, enquanto nós o desmontávamos, privatizando tudo, por pressão dos americanos.

Mas outra parte da sociedade chilena, a mais pobre, sabe que nem tudo vai bem no reino da Concertación. Me falaram de muita corrupção, muita pobreza e do desencanto com as políticas e os políticos em geral. Isso explica o surgimento de um candidato fora dos dois pólos tradicionais, a Concertación e a ultra-direita, que nunca ganhou nenhuma eleição desde a redemocratização.

Marco Enriquez Ominami é o candidato jovem, com um discurso de esquerda, capaz de desestabilizar toda essa estrutura. Alguns dizem que ele não tem nenhuma consistência e pode ser uma espécie de Collor chileno, ou seja, apenas uma mentira midiática. Outros (especialmente os jovens) o vêem como uma renovação.

Minha impressão é de que ele cumpre o difícil papel de fazer a classe média despertar. A transição chilena para a democracia já durou demais e é preciso iniciar uma vida partidária normal, superando o trauma do golpe e o medo do retrocesso. Com Pinochet morto, a nova geração que não viveu o terror do golpe está cansada de ter medo e quer ousar.

Assim, o Chile volta se movimentar, tentando resolver suas contradições, quem sabe caminhando para um futuro de integração com a América latina. O recente acordo entre as duas presidentes chilena e Argentina, pode ser o ponta-pé inicial para o retorno do Chile à família sul-americana, se juntando a esse enorme mercado que é o Mercosul, capaz de andar com suas próprias pernas, sem depender de nenhuma superpotência externa.

Os analistas tradicionais não conseguem enxergar a estratégia de Lula e do PT, que nunca foi a de tornar o Brasil um líder, mas de criar um bloco regional que tenha peso para exercer uma posição de protagonismo no mundo, papel que nenhum país da América latina tem condições de exercer sozinho.

Brasil, Argentina e Chile, juntos, são a base natural desse bloco. É o ABC, que os americanos sempre temeram. Seus estrategistas já diziam há décadas, que quando esses três países se unissem eles perderiam sua preponderância no continente. Pode ser que tenha chegado a hora.

Vamos ver agora se os chilenos serão capazes de construir esse novo sonho.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

 

IMPRESSÕES SOBRE O CHILE VI

ISLA NEGRA

Prezados amigos leitores

Mais uma vez a emoção me pegou de jeito, quando fui visitar a casa de Pablo Neruda, na simpática cidadezinha litorânea chamada Isla Negra (Ilha Negra).

A casa onde Neruda viveu e escreveu a maioria das suas obras, foi transformada em museu, mas como nos explicou o simpático guia, ela não é bem um museu e sim uma casa museu, onde as coisas estão dispostas exatamente como ele deixou.

A surpresa é descobrir que Neruda não era apenas um poeta, mas também um colecionador. Desde esculturas usadas em proas de veleiros de madeira, muito comuns antigamente, passando por máscaras africanas e toda sorte de presentes que ele ganhava, a maioria deles ligados ao mar, até um cavalo de brinquedo, que servia como propaganda de uma loja e foi seu sonho de infância, finalmente adquirido quando a loja faliu.

Uma poetiza européia que o visitou em sua casa, disse que Neruda era uma espécie de naúfrago atirado à praia de Isla Negra e que aí tinha permanecido, com sua poesia e seu amor pela humanidade, que o levou a militar no Partido Comunista, em busca de um mundo mais justo e humano.

Esse mesmo amor fez com que ele lutasse para trazer muitos republicanos sobriventes da guerra civil espanhola (quando trabalhou no serviço diplomático do chile), que foram tirados das prisões do ditador Francisco Franco, para receberem a hospitalidade do povo chileno. Eles vieram no navio Winnipeg em 1939, portanto há setenta anos atrás, e fundaram muitas famílias e negócios que prosperaram no Chile.

Visitar sua casa é poder sentir esse envolvimento fantástico que ele criava entre as culturas dos mais diversos povos, suas carências sociais e potenciais criativos e a natureza da terra e dos homens. É perceber como ele construía à sua volta esse verdadeiro canto de amor entre a natureza e a humanidade.

Mas a emoção maior foi ver seu túmulo, junto ao de sua esposa Matilde, em uma pequena elevação em frente ao mar, que no dia em que o visitamos estava cheia de alegres estudantes. Eles não choravam a morte do grande poeta, mas celebravam a vida, como ele sempre fez.

Neruda, que morreu de tristeza após o golpe de 11 de setembro de 1973, certamente deve estar satisfeito de ver que à sua volta, a alegria e o encantamento da natureza continuam vivos. 

 

                                                                         

                                                                               Jovens em torno aos túmulos de Neruda e Matilde

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

 

 

 

IMPRESSÕES DO CHILE V

LUCHO

 

Gente, a amizade é uma coisa boa.

Eu conheço alguns pensamentos sobre isso, inclusive um que diz que o amor acaba, mas a amizade é pra sempre.

Mas tive a prova concreta nessa viagem ao Chile, ao reencontrar meu amigo Luis Gutierrez que eu não via desde 1973, quando éramos dois jovens de 22 anos estudando arquitetura na Universidade do Chile, em Santiago.

Vim ao Brasil passar férias e veio o golpe. Nunca mais voltei e nem tive notícias dele.

Jurei que não voltaria ao Chile enquanto Pinochet vivesse e planejei soltar foguetes e tomar um porre quando o assassino de milhares de pessoas e dos sonhos de toda uma geração, morresse.

Quando isso finalmente aconteceu, eu estava em Rio de Contas e estranhamente não consegui comemorar nada. Me dei conta de que isso não ia mudar o que aconteceu, nem trazer de volta nossa juventude e nossos sonhos, e que aquele homem não merecia nada mais do que o esquecimento.

Mas coincidência ou não, uma amiga (e ex-namorada) chilena me reencontrou na internet e vi aí a chance de me reencontrar com o Chile. Através dela reencontrei Lucho, de quem nunca mais havia tido notícias.

Ainda pela internet, soube que estava bem, havia completado o curso e exercia a arquitetura e pude conversar com ele por essa coisa fantástica que é uma web cam.

Desde então Lucho tem demonstrado sua alegria pelo reencontro de uma forma que me tocou profundamente.

Agora, na visita ao Chile, pude reencontrá-lo pessoalmente, conhecer sua família e conversar muito com ele (embora o tempo que passamos junto tenha nos parecido curto para colocar em dia os assuntos), podendo avaliar quem é ele hoje.

À alegria do reencontro e da redescoberta de uma velha amizade que continuava viva, somou-se a alegria de ver que ele tinha se tornado uma pessoa boa, além de um profissional competente.

Como muitos que militavam na esquerda nos anos 70 e viram seu sonho de um mundo fraterno e solidário ser engolido por um capitalismo cada vez mais avaro e predador, Lucho se voltou para a espiritualidade, mas persistiu no desapego às coisas materiais, manteve seu bom humor, sua tranqüilidade de homem do interior, essencialmente chileno no que aquele povo tem de melhor que é a capacidade de combinar a determinação na luta pela vida com a leveza de humor e a alegria de viver.

Sua família, esposa, filha, irmã e sobrinha, receberam a mim e a minha filha com muito carinho e criamos novos laços que prometem se desenvolver nesse mundo integrado pela informática.

 

Que bom descobrir assim, amigos deste quilate. Que bom descobrir que a violência e os fuzis não mataram o que havia de melhor no Chile. Que bom saber que a amizade existe e é para sempre.

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

IMPRESSÕES DO CHILE IV

VILLA GRIMALDI

Mapa do Parque pela Paz, Villa Grimaldi

Estivemos em um museu a céu aberto, chamado Villa Grimaldi, onde houve um centro de tortura do regime do ditador Pinochet, entre 1973 e 1978.

A prisão, que era clandestina, foi instalada numa antiga casa senhorial, no que era então um bairro afastado de Santiago, já na subida da cordilheira.

Transformaram a casa numa prisão, com celas, e ao longo de uma grande jardim fizeram pequenas construções de madeira, que eram locais de tortura, pequenas celas de 1metro por 1 metro, onde colocavam até quatro presos, com apenas 1 buraco na porta para respirar e outras maiores para os “pau de arara” ou as “grelhas, que eram camas cobertas por um alambrado eletrificado, onde os presos ficavam deitados e tomavam choques.

São detalhes horríveis e grotescos, mas mostram o cuidado que os chilenos tiveram em preservar a memória do acontecido, para ensinar as novas gerações o que pode acontecer quando não existe mais democracia.

A Villa Grimaldi foi toda demolida pelo próprio regime de Pinochet, para que não sobrassem provas contra eles, mas os sobreviventes desse campo de concentração voltaram ao local e souberam identificar onde ficava cada coisa.

O governo então transformou o local num “Parque pela Paz”, onde se instalaram várias manifestações artísticas para lembrar os direitos humanos.

Visitá-lo nos faz pensar muito sobre a humanidade e a mim, como brasileiro, fez pensar sobre o que estamos fazendo a respeito da memória da nossa ditadura?

O responsável pela existência desse centro, que foi o todo poderoso chefe da DINA, o serviço secreto de Pinochet, se chama Manuel Contreras e cumpre prisão perpétua num local bem perto dali.

Enquanto isso nossos torturadores anda soltos por aí.

Ainda há tempo para mudar isso.

 

 

Celas de 1m x 1m com 4 presos

 

  Retratos dos  mortos e desaparecidos em Villa Grimaldi

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

IMPRESSÕES DO CHILE III

VALPARAÍSO

   

Viajamos a Valparaíso e Viña del Mar, cidades vizinhas no litoral central do Chile, há pouco mais de 100 Km de Santiago.

Impressiona logo o excelente estado das estradas, todas muito bem sinalizadas, onde a velocidade permitida chega a 120 Km/h.

Valparaíso é uma cidade portuária, cheia de casas de trabalhadores que se espalham pelos morros, muitas com paredes de telhas de zinco coloridas, para se proteger da umidade no inverno.

Agora está se enchendo de edifícios e tem um porto super-moderno, com gigantescas pontes rolantes.

Viña, ao lado, é um balneário, cheio de turistas, casas e apartamentos de veraneio.

Quando conheci, tinha apenas imensas casas de ricos, agora os condomínios sobem os morros em interessantes edifícios escada, servidos por elevadores do tipo plano inclinado.

    

Edifícios "escada" em Viña del Mar e pelicanos em Valparaíso

O almoço no restaurante de uma colônia de pesca, impressionou pela variedade de mariscos e peixes e pelos enormes pelicanos que sobrevoavam o mar, nas suas pescarias ou ficavam sentados nas beiradas dos edifícios.

Na volta a Santiago é impressionante a visão de um vulcão, que aparece no meio das nuvens. Explico: a cordilheira dos andes é uma séire de várias cadeias de montanhas, paralelas. Na cidade a gente só vê a primeira mas de longe, na estrada, ve-se a primeira, muito alta e mais atrás o vulcão, que pertence à segunda linha de montanhas, com o dobro da altura.

Então ele aparece no meio das nuvens e a gente não entende bem o que é aquilo, até se dar conta da altura do bicho.

Observe, em cima do segundo poste, o vulcão surgindo do meio das nuvens.

Impressionante. 

No meio do caminho muitos vinhedos, inclusive alguns orgânicos, de onde sae a uva para os maravilhosos vinhos chilenos.

 

Vinhedo na beira da estrada

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

IMPRESSÕES DO CHILE II

A exposição de artesanato Mapuche, no museu do palácio de La Moneda (o palácio presidencial do Chile), é linda.

O lugar é fantástico, um museu suberrâneo com entrada na parte da frente do palácio. Descemos por uma rampa onde se encontram várias exposições.

A primeira é a do artesanato Mapuche. Só consegui ver esta, porque fiquei encantado.

Explico: os mapuches são um dos povos originais do Chile, ou seja, eram os índios que viviam do Chile central até o extremo sul, quando o espanhóis chegaram (e depois os rebatizaram de araucanos).

O artesanato é lindo, muita prata e trabalhos de cestaria, lã e crina de cavalo.

Além disso a exposição nos fala do seu universo espiritual e cultural com aqueles totens indígenas e seus significados.

Abaixo coloco algumas imagens.

            

Nada me restará nesta terra,

me digo,

No seu ar

Só minhas conversas com a lua

Em suas águas uma flor

A leveza da memória

Elicura Chilaihuafi (jovem poeta mapuche, defensor da cultura indígena no Chile)

A  visita ao Palácio de La moneda teve um momento de grande emoção quando visitei a estátua de Salvador Allende, localizada na praça atrás do palácio.

Poucos dias antes de deixar Santiago, em 1973, assisti um comício do presidente Allende nesta mesma praça, da sacada do palácio, quando falou da esperança de construir um socialismo democrático e libertar a América Latina do imperialismo e da pobreza.

As sementes que ele lançou estão aí, germinando em toda parte, e não pude evitar um momento de angústia em que me perguntei porque as coisas tem que ser tão difíceis para os seres humanos.

Um homem tão bom, morreu pela iniquidade dos que não aceitavam a libertação do povo chileno e da América Latina e daqueles que não aceitavam um socialismo democrático e radicalizaram, precipitando o golpe.

Mas não deixa de ser uma alegria reencontrar um Chile democrático, que homenageia seu presidente com uma bela estátua em frente ao local de seu ultimo comício, com suas últimas palavras públicas, no dia 11 de setmbro de 1973: Tenho fé no Chile e no seu destino.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

IMPRESSÕES DO CHILE

SANTIAGO

Prezados amigos leitores.

Cheguei neste domingo, de madrugada, ao Chile, país onde morei um ano e não visitava há 36 anos.

Encontrei uma cidade muito bonita e organizada, cheia de bairros novos e problemas de crescimento, como todas as metrópoles, e o charme de Santiago continua o mesmo.

A cidade está linda e o país se preparando para a comemoração dos seus 200 anos, em 2010, mas a sociedade chilena ainda não se reconciliou depois da ditadura de Pinochet.

A direita reluta em reconhecer seus crimes, o que alimenta os ressentimentos das vítimas, ou de seus descendentes.

Muito mais que no Brasil, a ditadura aqui foi uma tragédia de grandes proporções e os chilenos lutam para espantar o medo, que é a pior herança de um regime como esse.

As eleições presidenciais serão em dezembro, e o candidato da Concertación, que é a aliança de centro-esquerda que governa o país desde 1991 (ano da redemocratização), não vai muito bem nas pesquisas.

O candidato da direita também está empacado e quem está subindo é um azarão, chamado Marco Enriquez Ominami.

Ele é filho e Manuel Enriquez, um líder de esquerda assasinado por Pinochet.

Quando seu pai morreu, sua mãe teve se exilar na França, quando estava grávida dele. Lá ela conheceu Ominami, outro exilado de esquerda que se tornou o padrasto de Marco.

Assim, esse Marco Enriquez Ominami (vulgo MEO), se tornou uma espécie de filho do golpe e resume toda a insatisfação da juventude com os velhos políticos, tanto da direita pinochetista, quanto da aliança de centro esquerda.

Quem sabe os chilenos conseguem agora se livrar do fantasma dessa ditadura e retomam seu caminho interrompido.

Esta semana continuarei colocando minhas impressões da viagem para que vocês possam acompanhar.

Por hoje, o cansaço me domina.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

 

 

 

 

Espíritos de Porco

 

Enfim, a sinalização da Serra das Almas foi colocada.

Esperamos que com isso acabem os terríveis acidentes que vínhamos presenciando quase semanalmente.

Empresários de Livramento se cotizaram para fazer muitas placas. O Derba e a Prefeitura de Rio de Contas, também colocaram e agora só cai quem não respeitar os avisos.

Mas me recordo que havia uma placa ali, colocada em 2007 ou 2008, e que foi roubada. Como alguém pode roubar uma placa que garante a segurança de quem desce a serra? Esse é um ato criminoso muito grave. Tão grave quanto colocar fogo na serra. E não é interessante que as duas coisas aconteçam tão próximas?

Fogo e depredação de sinalizações vitais para a segurança dos motoristas.

Algo de errado acontece por ali.

Talvez seja o caso da polícia investigar.

Por falar nisso, a polícia marcou um tento ao prender a quadrilha de traficantes em Livramento. Sabe Deus quantos crimes eles cometeriam na nossa região, vitimando principalmente a nossa juventude.

Parabéns às Polícias Civil e Militar!

Uma ação complementar importante seria a criação de programação cultural e esportiva para a juventude, principalmente durante à noite.

A construção de quadras de esporte iluminadas, com torneios noturnos, serviria para entreter nossa juventude, criando pontos de encontro em torno das práticas esportivas.

Uma programação cultural que promovesse a criação musical e teatral, aproveitando os numerosos talentos que existem na cidade, seria muito boa também.

Temos tudo para nos transformar em um importante pólo de produção cultural, mas faltam políticas públicas na área.

Até agora as poucas iniciativas “culturais” se dão na promoção de eventos rápidos, criados mais com a intenção de entreter turistas que freqüentam nossa Rio de Contas nos feriados, servindo mais aos promotores desse tipo de turismo eventual do que ao desenvolvimento da cultura.

Como se vê, os pequenos interesses particulares continuam prevalecendo sobre os interesses da cidade, no governo local, principalmente na área da cultura.

O nosso Teatro São Carlos, tão bonito e antigo, continua servindo de depósito, oficina para confecção de faixas e cartazes, sem pintura, sem cadeiras, sem nenhum cuidado, enquanto os muros da antiga escola do Circea, tomada do povo pela igreja Católica, foram pintados com o dinheiro do contribuinte.

Aliás, a imagem do Circea vazio, servindo apenas de moradia ao padre, enquanto as crianças se amontoam em escolas apertadas, é um absurdo que envergonha nossa comunidade.

O colégio foi construído pelo povo e doado (em ato legalmente discutível) à igreja, na confiança de que essas instituição garantiria sua existência. Mas a Igreja demonstrou que para ela aquilo é apenas um patrimônio imobiliário e está pouco se importando com a educação no nosso município.

Isso mostra que nossos governantes municipais continuam tributários da Igreja Católica, em prejuízo dos interesses públicos e contra o princípio constitucional da laicidade do Estado brasileiro, ou seja, de que o Estado deve ser separado de qualquer religião.

Tudo isso é motivo de atraso e pobreza.

E enquanto o Circea e o Teatro permanecem  fechados, nossa juventude não tem para onde ir à noite e, por isso, se reúne pelas ruas, no ócio da sua falta de perspectivas, à mercê dos traficantes.

Ou seja, enquanto os interesses particulares se locupletam o povo que se lasque.

É difícil ser otimista num cenário destes.

Mas mesmo assim, apesar dos espíritos de porco, encho meu coração de esperança ao pressentir a bondade nos corações desse povo.

 

Abraço à todos

 

Ricardo Stumpf

         Diário do Farol

Prezados amigos leitores.

Eu, como alguém que gosta de escrever e procura transformar esse hábito num ofício, tenho tentado completar as falhas na minha formação lendo autores e livros considerados importantes e que até hoje não tinha lido.

Um desses autores é João Ubaldo Ribeiro.

Todos elogiam o autor baiano, principalmente a sua aclamada obra Viva o povo brasileiro, que ainda não li. 

Em Brasília, visitando a deliciosa livraria da Fenac, achei esse livro, Diário do Farol, do mesmo autor (Nova Fronteira,2002).

O livro é desconcertante desde o começo, pois o leitor é logo ameaçado de morte pelo personagem, se não acreditar no que ele escreve. 

As primeiras páginas são uma espécie de preparação para o que virá, mas a história só começa mesmo na página 24. Portanto, não desistam antes de chegar lá.

O que se segue é difícil de descrever sem contar o final, o que evidentemente estragaria o prazer da leitura, mas o que posso dizer é que a obra nos revela o que de pior pode existir (e existe) na alma humana.

Narrado na primeira pessoa, como se fosse um diário, embora sem datas, o personagem vai revelando seu universo sombrio, desde a infância, e como dentro dele as circunstâncias vão moldando um caráter que poderia ser descrito como monstruoso, pelo nosso senso comum, mas que debocha o tempo todo justamento dos princípios que norteiam nossa existência dentro da civilização humana e revela a imensa liberdade das pessoas sem princípios, sem consciência e tomados por sentimentos muito diversos, para não dizer deformados.

Não sei como a psiquiatria definiria o personagem, mas assim como o livro Mentes perigosas, este nos alerta para a existência de uma outra humanidade, convivendo conosco, sem que nos apercebamos.

A relação entre a existência dessas criaturas do mal, desde um ponto de vista moral, e a ditadura militar brasileira, é demonstrada magistralmente, como uma oportunidade para que gente assim pudesse praticar suas monstruosidades, dando livre curso às suas deformações, a serviço dos que queriam aterrorizar o povo.

É um livro para quem tem estômago e um sinal claro da importância da democracia. As ditaduras costumam liberar essas criaturas do mal, para que satisfaçam seus piores instintos sobre seus inimigos.

Se olharmos as histórias das grandes ditaduras, veremos muitas delas em ação, como no nazismo ou nas ditaduras latino-americanas apoiadas e treinadas pelos Estados Unidos.

João Ubaldo Ribeiro é mesmo um mestre da literatura.

Para ele tiro o meu humilde chapéu.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

Mais um!

Mais um acidente na Serra das Almas.

Mais uma vida sacrificada inutilmente.

Um jovem de apenas 29 anos  morreu por falta de placas de sinalização.

Quem se responsabilizará por mais esta vida perdida e pela dor e sofrimento causada aos familiares deste jovem, sacrificado pela indiferença e incompetência ?

O Derba, que não sinaliza a estrada?

As prefeituras de Livramento e Rio de Contas, que não pressionam o Derba e não providenciam algum tipo de solução temporária, enquanto as placas não chegam?

A PM que não policia a estrada?

Onde está o Ministério Público que não pressiona as autoridades para que garantam a segurança dos cidadãos?

Até quando vamos ter que assistir esse massacre semanal? Até que morra alguém importante da cidade?

Até que aconteça uma tragédia coletiva?

Meu Deus, mas será que ninguém toma uma providência?

 

Ricardo Stumpf

BUDAPESTE

 

Finalmente consegui assistir o filme Budapeste, baseado no livro de Chico Buarque. O filme, que tem nos papéis principais, os atores Leonardo Medeiros, Giovana Antonelli e Gabriella Hamori, vinha me instigando pelo tema pouco comum.

Um escritor brasileiro que escreve para os outros (um ghost writer) se interessa pela língua húngara e passa a viver uma vida dividida entre o Rio e Budapeste, a capital da Hungria.

As belíssimas paisagens da cidade se misturam com a sonoridade da língua húngara, explorada o tempo todo pelo personagem principal e pela própria história. Dois amores, um no Brasil e outro em Budapeste, formam um triângulo que serve de pano de fundo a um homem angustiado por ser um autor de obras famosas, sempre editadas em nomes de outros.

A existência de um autor desconhecido de importante obra literária daquele país, inclusive com uma misteriosa estátua em sua homenagem, torna a história daquela cultura mais fascinante ainda para o torturado personagem, que buscava compreender sua própria importância, em meio às sombras do anonimato.

A temática lingüística é de grande interesse para quem lida com palavras. A questão da sonoridade, da importância da língua na construção do pensamento (minha cabeça vai ser como uma casa em obras, enquanto aprendo a pensar em outra língua, diz o personagem em dado momento) e a sua intenção de esquecer uma realidade amarga, mergulhando em outra cultura, mudando de língua para mudar de vida, realmente são idéias originais.

A história revela também um mundo pós guerra-fria, que permite aos brasileiros transitar por lugares outrora tão distantes e estranhos ao nosso universo luso-latino americano.

A imagem da estátua de Lênin sendo levada por um barco (um plágio do filme Adeus Lênin) e a cena em que o relógio anda para o lado contrário, nos mostram as possibilidades infinitas de um mundo onde as mais diversas culturas podem se encontrar e se descobrir.

Mas o tema, tão interessante, esbarra no horizonte limitado da cultura machista carioca de Chico Buarque, que insiste na imagem poética batida da procura pela mulher amada (Vinicius de Moraes), a paranóia de que a sua mulher seja comida por outro (enquanto ele se dá o direito de orgias com prostitutas e bebedeiras em bares) e pelo desprezo pelo trabalho da mulher, seja a carioca, caracterizada como fútil e marcada pelo estrelismo, seja a húngara, cuja trabalho no sanatório psiquiátrico é depreciado pelo escritor como leitura para débeis mentais.

Ao final, o trabalho do personagem masculino é reconhecido e ele, claro, recebe as glórias (enquanto à mulher húngara cumpre seu papel assessório, ficando grávida).

Chico Buarque de Holanda, em pessoa, pede o autógrafo ao personagem, cujo livro se chama também Budapeste, numa auto-homenagem, típica de Chico, que não costuma ser muito modesto. Não li o livro, mas o filme parece confirmar a crítica de que ele não seria um bom autor de romances.

O argumento é ótimo, mas nem sempre é fácil desenvolver um bom argumento.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

                                

RIO

 

A vitória do Rio de janeiro na disputa para sediar as olimpíadas de 2016 é a oportunidade que todos os cariocas esperavam para ver a cidade renascer do caos em que se encontra.

Anos de administrações incompetentes, mais voltadas aos discursos ideológicos, sejam de esquerda ou de direita, deixaram o Rio à mercê da especulação imobiliária, grande geradora de favelas e do tráfico de drogas, que se estabelece em suas estreitas ruelas.

O Rio tem dois problemas urgentes a serem enfrentados: um transporte público deficiente e a violência. Além disso, sofre com a deterioração da saúde pública.

O remédio para todos esses males é o planejamento, mas para restabelecê-lo, é preciso que nos livremos do gerencialismo, que estabeleceu a gestão como solução para tudo, cuidando apenas do dia a dia e esquecendo-se de prever o futuro.

Sem planejamento não há gestão duradoura que funcione e não haverá solução para os problemas do Rio sem mexer na especulação imobiliária, que torna proibitivo ao trabalhador ter acesso a um imóvel dentro do mercado, seja comprado ou alugado e o obriga a invadir.

Planejar a cidade significa acabar com as favelas, construindo imóveis dignos nos locais onde se encontram, quando isso for possível ou em outros locais, reduzir os preços dos imóveis e dos aluguéis, estender o metrô a todas as regiões numa malha gradual, que contemple a integração com ônibus e quem sabe uma espécie de veículo leve sobre trilhos (VLT).

Acabando com as favelas será bem mais fácil combater o tráfico, embora seja necessária coragem para prender os grandes que gerenciam ou se beneficiam com o negócio sujo e que moram nas áreas nobres da cidade.

Quem viver verá!

 

ELES ESTÃO CHEGANDO

 

Por falar em tráfico, até quando vamos ficar assistindo os traficantes chegarem e se instalarem nas nossas tranqüilas cidades?

Só a polícia não sabe onde estão as drogas em Rio de Contas. Só a polícia não sabe quem são os consumidores que alimentam o tráfico.

Será que teremos que esperar a violência se estabelecer para que providências sejam tomadas?

Outro dia, num domingo à noite, próximo ao cemitério, dois cidadãos se ameaçavam de morte mutuamente, depois de se enfrentarem aos murros, porque um estava invadindo a área do outro. Quem tentou ligar para a polícia encontrou um telefone que não atendia. Não havia polícia na cidade.

Porque a inteligência da polícia não entre no combate às drogas?

Porque só se reprime o traficante depois que ele está estabelecido?

Será que teremos que esperar que nossas cidades atinjam o grau de Salvador, onde traficantes fazem a lei, para que seja traçada alguma política de combate ao tráfico?

Perguntas que precisam de respostas.

 

CADÊ A VACINA?

 

Já estamos em meados de outubro e não se fala mais na vacina contra a gripe A.

A China já está vacinando sua população, desde 21 de setembro.

Os Estados Unidos começam essa semana a vacinação em massa.

Enquanto isso, no Brasil, o assunto sumiu dos noticiários e os governos evitam falar de números alegando que querem evitar pânico.

Na verdade estão apenas escondendo sua irresponsabilidade.

A China conseguiu controlar a epidemia controlando rigidamente a entrada de estrangeiros. Nós, para provar que continuamos liberais, deixamos que o vírus entrasse e se espalhasse, tirando a vida de centenas de brasileiros, para que empresas (de turismo, transportes e turismo) não tivessem prejuízos.

Antes se falava do início da vacinação para setembro, depois para outubro e agora nem se fala mais no assunto.

Acho que merecemos uma explicação.

Depois eles vêm com aqueles discursos de resgatar a cidadania. Que cidadania?

 

ASSOCIAÇÃO

 

Foi fundada a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Rio de Contas – Citrus da Chapada, com objetivo de tirar do isolamento o pequeno produtor, que luta sozinho, sem apoio técnico, sem financiamentos, sem perspectivas de obter um bom preço na comercialização, sempre nas mãos de atravessadores.

Na primeira reunião, depois da legalização, a Associação já definiu como prioridades a luta pelo zoneamento agrícola, pela eletrificação rural, pela irrigação do baixio e pelo apoio de órgãos públicos como EBDA (que já se fez presente), Embrapa e outros.

Para iniciar suas atividades, será promovido um curso de Associativismo, ministrado pela EBDA e cursos de agricultura orgânica, organizados pela Secretaria do Meio Ambiente do Município.

Eu, que luto há dez anos para aprender as coisas do campo, me esforçando para produzir uvas e pocans, fui indicado para presidente, por supostamente ter facilidades de lidar com esses agentes públicos, tanto na região como em Brasília.

Espero estar à altura da confiança e já consegui cumprir minha primeira tarefa, que foi a da legalização.

Agora precisamos do apoio de todos que tem amor a terra e principalmente dos que vivem dela, para que nossa associação se fortaleça.

O espírito do associativismo é o de unir forças para conseguir benefícios. Não se deve entrar procurando apenas benefícios individuais, mas estes também virão com a força da união.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

LUA DE MEL

Pois é, amigo leitor, o novo Prefeito de Rio de Contas, está chegando ao fim daquela lua de mel que todo governo tem com a sociedade, nos primeiros meses.

Depois de conseguir derrotar o velho cacique local, cujas práticas autoritárias e clientelistas tinham se exaurido junto com o predomínio de ACM na Bahia, o jovem Márcio encheu de esperanças uma comunidade que sofreu muito com as perseguições políticas, o atraso e a violência, promovidos por um grupo que tratava a Prefeitura como um negócio particular.

Verdade que parte do grupo do antigo líder se bandeou para a candidatura do PMDB, devido a profundas divergências causadas por um assassinato político ocorrido no município.

O Partido dos Trabalhadores e o Partido Verde se negaram a fazer parte dessa aliança, justamente por não aceitarem a presença desses ex-integrantes do grupo antigo, mas a sociedade acreditou na força do jovem candidato de liderar o governo e impor sua governança, abrindo uma nova página na história da cidade.

Hoje, passados nove meses da sua posse, temos um panorama meio desanimador.

As Secretarias de Infraestrutura e de Meio Ambiente, mostraram logo serviço. A de Saúde mantém a rede funcionando bem, mas não vemos perspectivas de novos investimentos nem de planejamento para o futuro. A de Educação, a mesma coisa, com a ressalva de que a Cultura está em mãos erradas e não mostrou a que veio até agora, demonstrando um certo descaso num setor que é uma das vocações principais da cidade.

A Secretaria de Turismo, nas mãos de um jovem empresário, também não apresentou até agora uma programação de eventos capaz de colocar Rio de Contas no mapa turístico baiano.

Mas o pior é o predomínio cada vez maior de membros do antigo governo sobre o jovem Prefeito, a ponto de montar um verdadeiro controle sobre tudo que ele conversa com terceiros, sobre tudo que faz, sobre tudo que propõe.

Parece que Márcio, se tornou refém das suas alianças eleitorais. A capacidade que ele terá de se libertar ou não dessas figuras comprometedoras é que traçará os destinos do seu governo.

Mas parece que, ao contrário disso, o Prefeito está se encolhendo e deixando que o velho grupo se rearticule novamente, inclusive permitindo que perseguições políticas voltem a acontecer.

Um caso de violência contra um funcionário da Prefeitura por um capanga do grupo antigo, que ainda ameaçou publicamente mais dois secretários, passou em branco, sem nenhuma providência por parte do governo para que o indivíduo fosse punido.

A sociedade que apoiou publicamente Márcio, já teme pelo seu governo e por uma possível volta ao poder do antigo grupo e seus esquemas de violência e corrupção.

Toda a cidade está esperando que nosso jovem Prefeito retome as rédeas do governo e não deixe apagar a chama de esperança nos corações daqueles que o acolheram com tanto carinho.


Abraço a todos

                                        

Imprensa Marrom

 

Prezados amigos, eu não sei o que o jornal Folha Regional tem contra a Embasa, o certo é que pegaram no pé da empresa de saneamento de jeito e não querem largar.

Quando eu estava chefe do escritório local do Iphan, concedi uma entrevista a este jornal, achando que seria tão sério quanto a Tribuna do Sertão, onde publico desde 2003 uma coluna e nunca tive um aborrecimento sequer com seus editores, sempre zelosos no trato com seus colaboradores.

Mas a Folha Regional distorceu uma porção de coisas que eu falei, colcocou em minha boca palavras que eu não disse, todas contra a Embasa e a Construtora Franco Araújo.

Na ocasião chamei a engenheira da construtora, mostrei a reportagem cheia de invenções e disse a ela que se quisesse poderíamos entrar juntos na justiça contra o jornal.

Ela disse que era bobagem, que esquecessemos aquilo.

Passados vários meses, me vem a mesma Folha Regional publicar outra reportagem contra a Embasa, usando a foto feita na primeira entrevista comigo, como se eu tivesse concedido outra,  usando meu nome para dizer um monte de barbaridades, entre as quais a que eu teria sido demitido por causa da Embasa.

Gostaria de esclarecer aos leitores, que não concedi uma segunda entrevista aquele jornal, que não fui demitido do Iphan, mas pedi minha demissão por não concordar com a maneira de administrar do Superintendente Estadual, coisa que já expliquei no blog e na coluna da Tribuna do Sertão, e que não tenho nada contra a Embasa e a Construtora Franco Araújo, além das críticas levantadas por mim na audiência pública e respondidas na mesma pelos técnicos presentes.

A questão das bombas de recalque é sim uma crítica que fiz na audiência e não considerei respondida, por isso publiquei no blog e na coluna o artigo As Bombas da Embasa, que a Folha Regional utilizou nessa suposta entrevista, sem citar a fonte, para reafirmar a campanha contra a Empresa Baiana de Saneamento.

Estou estudando que medidas poderei tomar na justiça contra esse jornal, para não continue usando meu nome irresponsavelmente com a finalidade de reforçar sua obsessão contra a rede de esgotos de Rio de Contas, que vai despoluir o rio Brumado, livrando Livramento dos esgotos que atualmente poluem suas águas.

É uma pena que ainda exista espaço para esse tipo de jornalismo desonesto, que só depõe contra nossa região e contra os pseudo-jornalistas que o praticam.

 

Abraço a todos

 

Ricardo Stumpf

 

 

 

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